terça-feira, 7 de outubro de 2014

ULAN-UDE – ULAN-BATOR – 657 KM (from 31.05 13:45 (local time) to 01.06 06:40 (local time)

Transmongolian: on our way to Mongolia
Waiting at the Russian-Mongolian border
Waiting...At some point they didn't let us go out of the train
Transmongolian: on our way to Mongolia
Friendship can grow fast during the trip. Lucie and Gary, good friends!

Desta vez apanhámos um comboio chinês que faz a viagem directamente de Moscovo até Pequim.
Deixamos Ulan-Ude e tanto por explorar nas redondezas do Baikal.
Mas como em todo o lado, nunca será possível ver tudo!
Este comboio, em tudo igual aos outros em que andámos, tem controladores apenas masculinos e as casas de banho são menos asseadas e não têm papel. As camas são menos confortáveis e os lençóis não vêm fechados em plásticos. Parece que alguém já os pode ter usado antes. Na altura não o percebi, mas agora que escrevo com algum tempo de atraso, vejo que o nosso primeiro comboio chinês era um prenúncio das mudanças a encontrar ao entrarmos na China.
Na nossa cabine viaja um húngaro, o Gary, como se apresentou, embora o seu nome seja Görgö. Ele, a francesa da cabine ao lado, Lucie e um chinês que está noutra cabine da mesma carruagem (que diz para o chamarmos de Sunshine pois é o que o seu nome significa simplificadamente) já vêm directamente de Moscovo sem parar, o que significa que já estao há uns dias no comboio.
O Gary tem pouco tempo e por isso diz que gostaria de fazer a viagem novamente com mais tempo. Esta viagem de comboio não é longa, mas torna-se demorada devido à longa espera de 2h na fronteira da Rússia para fiscalizarem tudo, e mais 2h na fronteira da Mongólia. Fiscalizam tudo de novo. Vêem debaixo das camas, cães a passarem no corredor, preencher formulários... no entanto, é importante destacar que, ao contrário do que sempre ouvi falar, o comboio é seguro, os russos são muito simpáticos e sempre pudemos deixar tudo nas carruagens e ir passear sem nos preocuparmos em deixar tudo preso com cadeados ou amarrado.
Esta viagem foi feita de conversas. Com o Gary discutimos a situação económica na Hungria, o nazismo na Europa, o porquê desta viagem e a procura de um caminho e sentido para cada uma das nossas vidas. Esta busca constante e ao mesmo tempo, fuga a uma vida pré-concebida pela sociedade, que dita o que é mais e menos certo nos curtos e milagrosos espaços de tempo a que chamamos vida, e que deveriam ser sentidos da maneira que cada um quer. Não há fórmulas certas porque, do fim, é o que todos mais sabemos e temos certo.
O Gary trabalha em hotelaria na Suiça, mas planeia voltar ao seu país, comprar apartamentos e alugá-los. Não quer uma vida presa e trabalhar para outros para sempre, diz ele. Vai fazer 30 anos durante esta viagem e veio fazê-la precisamente para pensar na vida.
No comboio conheceu a Lucie, que vai estar 3 meses na Mongólia a trabalhar numa agência de viagens porque estudou turismo sustentável. Depois disso planeia ensinar francês na Galiza para treinar o espanhol e depois vai querer aprender português.
Às tantas o “Sunshine” juntou-se a nós e estávamos os 5 a rir e a conversar na cabine. Foi uma excelente viagem porque estes momentos de convívio são o que mais deixam recordações e criam empatias com os outros. Às vezes fazem-se amigos para a vida e conhecem-se outros estilos de vida e ideais.
A paisagem manteve-se verde e plana com alguns rios e montes ao fundo.
Chegámos bastante cedo a Ulan-Bator, ainda dormia em pé e já estávamos a ser abafados por uma multidão de mongóis à saída do comboio. Tentavam angariar pessoas para táxis, hotéis ou esperavam alguém com cartazes.
Demasiado cedo para acompanhar tanta actividade... Lá encontrámos a pessoa que nos esperava para nos levar ao hostel e descansar um bocado.

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This time we took a Chinese train that makes the trip directly from Moscow to Beijing.
We left Ulan-Ude and so much left to explore around Baikal.
But like everywhere, you can never see everything!
This train, identical to the others we've been taking, has only male controlers and bathrooms are less neat and have no toilet paper. The beds are less comfortable and the sheets did not come sealed in plastic. Looks like someone already may have used it before. Not realized at the time, but now that I write with some time in delay, I see that our first Chinese train was a presage of the changes to find when entering China.
In our cabin travels a Hungarian, Gary, as he presented himself, although his name is Görgö. He, the French in the next cabin, Lucie and a Chinese that travels in the same car in another cabin (he says to us to call him “Sunshine”, because that's what his name means in a  simplified way) have come directly from Moscow without stopping, which means that they are in the train for a few days now.
Gary has little time and so he says he would like to make the trip again with more time. This train journey is not long, but it is time consuming due to the long wait of 2 hours at the Russian border to oversee everything and more 2h on the Mongolian border. Oversee all over again. Tehy check under the beds, dogs passing in the hallway, filling out forms ... however, it is important to note that, contrary to what I heard, the train is safe, the Russians are very friendly and we always leave everything in the carriages and go sightseeing without worrying about leaving it stuck with padlocks or tied.
This trip was made ​​of conversations. With Gary discussed the economic situation in Hungary, Nazism in Europe, the why for this trip and the search for a path and direction for each of our lives. This constant search and at the same time, escape to a life preconceived by society that dictates what is more and less certain in the short and miraculous space of time we call life, and that should be felt in the way that each one wants. There are no right formulas because, the end is what everyone knows and have for certain.
Gary works in hospitality in Switzerland, but plans to return to his country, buy apartments and rent them. He doesn’t want a stuck life and work for others forever, he says. He will turn 30 during this trip and travels precisely to make himself think about life.
On the train he met Lucie, who will be 3 months in Mongolia to work in a travel agency because she studied sustainable tourism. After that, she plans to teach French in Galicia to practice spanish and then will want to learn portuguese.
At some point "Sunshine" joined us and the we laughed and talked in the cabin. It was a great trip because these moments are what leave more memories and create empathy with others. Sometimes can make friends for life and get to know other lifestyles and ideals.
The landscape remained green and flat with some rivers and hills in the background.
We arrived early enough to Ulan-Bator, still sleepy and we were being drowned out by a crowd of Mongols outside the train. Tried to raise people for taxis, hotels or someone waiting with signs.

Too early to keep up with such activity ... Eventualy we found the person who was waiting for us to take us to the hostel and rest a bit.