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sexta-feira, 9 de maio de 2014

From Russia to New Zealand. Travel preparations II

A pesquisa na internet é fundamental para sabermos que passos tomar e onde nos dirigirmos.
Começámos a definir o que fazer e a perceber qual a documentação necessária e onde a entregar.
Fomos à Decathlon comprar material que precisávamos como sacos-cama light (mais pequenos e leves), calças de caminhada, impermeáveis, toalhas de secagem rápida, bolsas para levar o dinheiro dentro da roupa...
Comprámos novas mochilas de caminhada. O Zé aproveitou uma promoção na Decathlon e trouxe uma da Quechua de 70+10 litros por 100 euros e eu encontrei uma da Berg de 60 litros por 15 euros num outlet.
Marcámos a Consulta do Viajante no Hospital Curry Cabral, pois descobrimos através da internet que vários hospitais a fazem, mas há uma lista de espera muito grande. O Instituto de Medicina Tropical cobra 50€ pela consulta e o Curry Cabral cobrou-nos o valor da taxa moderadora: 7,75€. 
Depois de mais de 1 mês de espera lá fomos consultar a médica que nos aconselhou durante 1hora e nos passou vacinas que andámos a tomar até à semana passada:
Febre Tifóide, Menigite, Hepatite B, Hepatite A (2 doses. A segunda é tomada passados 6 meses) e Encefalite Japonesa (aconselhada a quem está mais de 3 semanas na Ásia. São 2 doses com 28 dias de intervalo). Trouxemos ainda receitas para comprimidos para fazer a profilaxia da malária e comprimidos para a altitude, no caso de querermos visitar cidades em altitudes elevadas e que nos podem causar a chamada Doença da Altitude (Acute Mountain Sickness) que pode causar, em casos extremos, edemas cerebrais e perda de consciência ao atingir mais de 2500 metros de altitude.
Alertou-nos ainda para o uso sistemático de repelentes, assim como roupas frescas mas que nos cubram completamente para protecção da malária e do dengue.
Bem, em vacinas e comprimidos gastámos à volta de 250€ por pessoa. Os repelentes vamos levar os que temos e depois compramos outros ao chegar aos países pois lemos que os que compramos cá em Portugal têm uma percentagem de DEET baixa para o Sudeste Asiático. Serão necessários repelentes com 50-90% de DEET, dependendo da zona de risco. Os nossos comprados em Portugal têm 20-25%. 
Foi uma boa informação que encontrámos no blog Crónicas de um VagaMundo!
Para além disso, iremos sempre consultar o site FitforTravel que nos fornece mapas mais pormenorizados sobre a situação do risco da malária em cada país.
Outro passo a dar foi vender o meu velho e pesado portátil trocando-o por um bem mais pequeno e leve em 2ª mão e pagando a diferença. Assim poderei levá-lo comigo sem problemas. 
Queria comprar um com um desempenho razoável mas não queria gastar muito pois correrei o risco de o perder, estragar ou ser roubada. Acabei por comprar um por 420€.
Comprámos adaptadores universais para os aparelhos eléctricos que nos custaram 3€ nos chineses, renovei o meu cartão de cidadão (15€) e o passaporte (65€), comprámos 2 anos de assinatura no site Workaway (29€ para 2 pessoas), para que possamos ter acesso a projectos de voluntariado pelo mundo a fim de participarmos nos que pudermos. 
Quando nos vimos pressionados a escolher a data de partida, comprámos o bilhete de avião para Moscovo pela TAP por 191 euros por pessoa.
Estes foram os nossos primeiros passos. Outras coisas que achei importante não esquecer antes da partida foi verificar se todos os meus documentos estavam em dia, levar comigo todos os códigos que posso precisar (acesso ao e-banking, ao portal das finanças e outros...), pois nunca se sabe quando terei assuntos a resolver, e marcar consultas com o dentista e médico de família para ver se está tudo bem, já que ninguém quer ter problemas de dentes a milhares de quilómetros de casa!
Importante não esquecer de preparar uma caixa de primeiros-socorros (que a médica ajudou a completar) com ligaduras, pensos, creme para feridas, paracetamol, antibiótico, creme para picadas e queimaduras, creme para entorses, antigripal, comprimidos para a diarreia e ainda fomos comprar um suplemento multivitamínico e um suplemento para reforço do sistema imunitário, pois nunca sabemos o tipo de alimentação que vamos ter e todas as ajudas são boas para reforçar o sistema!
Por último, verificar se temos todas as direcções necessárias para onde queremos ir ao chegar às cidades e várias fotocópias do passaporte e boletim de vacinas pois no caso de alguém nos pedir, nunca deveremos entregar o original!
Depois disto, chegam os documentos para obtenção dos vistos. Assunto que escreverei no próximo post!

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The internet research is critical to know which steps we should take and which places we have to go.
We began to define and understand which paperwork we needed and where to deliver it.
We went to Decathlon to buy some equipment such as light sleeping bags (smaller and lighter), hiking pants, rain covers, quick-drying towels, money belts...
We bought new backpacks. Zé bought a Quechua 70 +10 liters backpack for 100 euros on sale and I found a Berg 60 liters for 15 euros in an outlet.
We scheduled an appointment with a travel medicine specialist at the Curry Cabral Hospital, because we discovered many hospitals in Lisbon have this service, but there is a long waiting list. The Institute of Tropical Medicine charges 50€ and Curry Cabral only charged the tax: € 7.75.
After more than 1 month of waiting we went there to consult the doctor who advised us during 1 hour and prescribed the vaccines that we have been taking until last week:
Typhoid , meningitis, Hepatitis B, Hepatitis A (2 doses. The second one is taken after 6 months) and Japanese encephalitis (recommended to those who are going to be more than three weeks in Asia. 2 doses 28 days apart). Also brought recipes for pills to make the malaria prophylaxis and pills for altitude, if we want to visit high places that can cause the called Acute Mountain Sickness which can cause, in extreme cases, brain edema and loss of consciousness when over 2500 meters.
The doctor also warned us to the use of repellents and fresh clothes that covers us completly for protection against malaria and dengue.
Well, between vaccines and pills we spent about 250€ each. We'll take the insect repellents we already have and get some other with higher DEET percentage when going to places with high risk of these diseases. Ours have 20-25% DEET which is low for southeast asia where repellents with 50-90% DEET, depending on the risk zone, are necessary. It was a good information found on the blog Crónicas de um VagaMundo!
We will be checking the website FitforTravel which gives us detailed maps about the risk of malaria in each country.
Another step to take was to change my heavy and old laptop for a smaller and lighter one in 2nd hand, paying for the difference. This way I can take it with me without any problem. I wanted to buy a computer with a reasonable level of performance but didn't want to spend much given the risk of losing it, screw it up or be stolen. I ended up buying one for 420€.
We got universal electrical adapters for 3€ at the chinese store, I renewed my ID card (15€) and passport (65€), bought a 2 years subscription site Workaway (29€ for both of us), so that we can have access to volunteer projects around the world. 
When we felt pressured to set a date, we bought the plane ticket to Moscow (TAP for 191€ each).
These were our first steps. Other things I found important not to forget before departure was to be sure that all my documents were up to date, take with me all the codes that I need (such as access to e-banking, to the portal of portuguese finances and others...), because you never know when we will have issues to solve, and we made appointments with the dentist and the doctor to see if everything was fine, since nobody wants to have teeth problems thousands of miles away from home!
It's important to prepare a first aid kit (the doctor helped us with that) with bandages, medical dressings, cream for wounds, paracetamol, antibiotic, cream for bites and burns, cream for sprains, anti flu pills, diarrhea pills and we also bought a multivitamin supplement and a supplement for strengthening the immune system, because you never know what we're going to be eating and all the help is good to reinforce the system!
Finally, is good to verify if we have all the directions to where we want to go when we'll arrive on the cities, and we also took several passport and vaccination record photocopies because if someone asks us, we must never give the original one! 
After this, comes all the documentation to obtain visas. But I'll write about it in the next post!

As últimas vacinações! // The last travel vaccinations!



segunda-feira, 5 de maio de 2014

From Russia to New Zealand. Travel preparations I

Decidimos realizar um sonho antigo: viajar pelo mundo sem data de regresso. Principal objectivo: Ir da Rússia à Nova Zelândia.
O Zé terminou a bolsa e não procurou mais trabalho e eu despedi-me do meu contrato efectivo, larguei as amarras que me prendiam e os medos que não me deixavam decidir e começámos a preparação.
Nunca fomos de planear muito as nossas viagens e por isso assustei-me um pouco com a ideia de ter pouco mais de 2 meses para planear uma viagem grande. Mas tudo se faz! 
Nas viagens, tal como na minha vida, tenho a sorte de poder deixar-me ir com o vento e ser feliz assim.
No final, não é só isso que importa?

Depois da decisão, começámos a procurar artigos de viagem, cada vez venço mais os medos de partir e deixar o que é seguro e ganho uma enorme vontade de ir.
A questão inicial é sempre quando ir, por onde e o que visitar. 
A vontade de ir é imensa porque se não for agora, temo que não seja. E porque voltarei com novas ideias e experiências. 
Inicialmente muitas dúvidas nos invadem:
Porque temos de assentar num sítio?
Vou viajar porquê? Porque fujo e procuro algo que não estou a encontrar? Muitas vezes o que procuramos está debaixo do nosso nariz, por isso é bom interiorizarmos o que buscamos afinal. 

Às vezes conclui-se que é necessário ir para sabermos onde queremos mesmo estar.
Mas queremos mesmo ir e deixar tudo para trás?
Estaremos a tomar a melhor decisão? 
O melhor de tudo é não pensar de mais e deixar falar o coração.
O Mundo e a Vida, para mim, não são para sufocarmos e vivermos a lamentar-nos. Vida é descobrir, experienciar... é Ser!
Largar tudo a que nos apegamos é um bom exercício. Sentir o mundo!
De inicio o exercício do desapego é fundamental: tomar interiormente consciência da decisão, contar à família, deixar cá os meus cães de quem sentirei imensa falta, e a pouco e pouco, tudo se vai moldando... largar o trabalho, deixar tudo pronto para a ida, reencaminhar assuntos, avisar entidades que nos ausentaremos, deitar tralha fora, vender outra... até a minha caixa de e-mail sofreu uma limpeza que precisava há muito tempo e que acabava sempre adiada!

Agora estamos a pouco menos de 10 dias da nossa partida e tudo toma forma, mas o tempo corre rápido e ainda há muito a fazer... por isso todos os dias nos trazem um friozinho na barriga.
Como finalmente começou um novo mês e o meu contrato de trabalho acabou, procuro ter mais tempo para actualizar tudo o que fizemos até aqui. 

No próximo post continuaremos a descrever os primeiros preparativos, como vacinas, primeiras viagens e algum material necessário e depois falaremos sobre a preparação da viagem para a Rússia e o Trans-Mongoliano.
Quanto às despesas, tentaremos ir sempre actualizando os gastos que estamos a ter no total. 
Muita gente pensa que para se viajar é preciso ser rico, mas se soubermos fazer escolhas as coisas concretizam-se. Nós estamos a juntar dinheiro há sensivelmente 3 anos, mas para isso também optámos por não ter habitação própria a fim de minimizar as despesas. Eu impus um limite por mês, de modo a que pudesse poupar todos os meses determinado valor. E além disso, há sempre opções a fazer no que toca a gastar dinheiro. E não foi, para mim, uma questão de sacrifício, mas sim uma questão de mentalidade: se for feliz com pequenas coisas e se não der valor apenas ao que é caro, procurando alternativas plausíveis, pouparei sem esforço.

Vamos procurar relatar o que vemos através do desenho e das fotografias. Duas visões da mesma vivência. Histórias que poderão ser acompanhadas no nosso blog e na página do facebook: Diários da Errância.

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We decided to make an old dream come true: travel the world with no return date previously set. Main goal: Go from Russia to New Zealand.
Zé finished his fellowship and I said goodbye to my permanent contract, dropped the shackles that bound me and the fear that wouldn't let me decide and we started preparing.
We have never been the planning type, so I felt a bit scared with the idea of having little more than 2 months to plan such a big trip. 
In my life, as as I travel, I'm lucky to be allowed to let me go with the wind and be happy just like that.
In the end, it's all that matters, right?

After we decided to go, we began to search for travel articles, as I conquer my fears of letting a safe life behind I get a huge desire of just go!
The first question is always when to go, where and what to visit.
The desire to go is huge, mainly because if not now, maybe never. And also because I'll return with new ideas and experiences.
Initially all kinds of doubts come to us: 
Why should we settle on a single place?  
Why am I traveling? 
Am I running from something I'm not finding? 
Often, what we seek is right under our noses, so probably it's a good idea to get to know what we seek after all.

Sometimes we realize it's necessary to go, to know where we really want to be. Do we really want to go and leave it all behind?
Are we making the best decision?
The best is not to overthink and let the heart speak for itself.
The World and Life, to me, are not to suffocate and sorrow. Life is to discover, to experience… To be!
To drop everything it's a good exercise. Feel the world! 
At first, detachment is essential: become aware of the decision, tell the family, leave my dogs here.. I will miss them so much! Slowly things come to shape. quit my job, get everything ready for the departure, let people know we'll not be here for a while, throw out stuff, sell stuff.. even my mailbox was cleaned, something I should have done ages ago and always got delayed!

Now we are almost 10 days away from our departure and everything comes to shape, but time moves fast and there is still much to do… so every day we feel tingly inside. As a new month begins and my working contract is over, I'm trying to have more time to update everything we've done so far.
In the next post we will continue to describe the initial preparations such as vaccines, first travel tickets and some equipment needed and, after that, we will write about the travel preparations to Russia and to the Trans-Mongolian.
We will try to update all the expenses we're having in total. 
Many people think that to travel we have to be rich, but if we choose well, things get done. We have been raising money for about three years. For that we opted not to have an home of our own, I set a month limit so that I could save the same every month and besides, there are always choices to make when it comes to spending money. For me, it is not a matter of sacrifice as much as a matter of mentality: if I'm happy with small things and not just to what is expensive, looking for alternatives, I can save money with little or no effort.

We will seek to report what we see trough drawings and photographs. Two views of the same experience. Stories that can be followed on our blog and on our Facebook page: Diários da Errância.
Diário de Viagem // Travel Journal
De Comboio através da Ásia - Procurando ideias // By Trains through Asia - Searching for ideas
Carta de rescisão de contracto // Resignation letter