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sábado, 30 de janeiro de 2016

Pelo Douro Vinhateiro

Decidimos ir de fim-de-semana com um grupo de caminheiros (Caminhos com Carisma) e conhecer o Alto Douro Vinhateiro de uma forma diferente: a caminhar!
No final, revelou-se uma óptima decisão e uma boa experiência. A caminhar podemos observar tudo com mais calma e pormenor, podemos sentir cheiros, observar as cores, ouvir o silêncio no vale, parar e respirar!
 A Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural e rodeada de montanhas que lhe dão características muito particulares.
Esta região, que produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto, merece realmente uma visita pela extraordinária beleza paisagística, sempre com o rio Douro como fundo, e para apreciação do maravilhoso trabalho humano com as vinhas pormenorizadamente alinhadas, fazendo desenhos geométricos ao longo das colinas.
Lá em baixo, no rio, os barcos passam e de vez em quando, o comboio interrompe o silêncio para nos lembrar do quão bonita deverá ser aquela viagem por túneis nas encostas e sempre junto ao rio. É uma paisagem romântica que no Outono se valoriza com as cores alaranjadas e vermelhas típicas da época, e com as nuvens baixas que, por vezes, cobrem as encostas e lhes dá um misticismo fotogénico.
Zé a partir amêndoas

Da natureza pudemos colher maçãs, marmelos, amêndoas, uvas, e apanhámos alguma chuva, que de vez em quando, não faz mal a ninguém. Gosto de a sentir, quando não é demasiada, faz-me simplificar tudo e não me importar com demasiada coisa a não ser caminhar e apreciar!
Em jeito de síntese, começámos a viagem fazendo Lisboa-Lamego, onde dormimos, para no dia seguinte seguirmos cedo para a vila do Pinhão.
Um dos painéis de azulejos do Pinhão
A estação dos caminhos de ferro do Pinhão é conhecida pelos seus 24 painéis de azulejos, que retratam paisagens do Douro e aspectos das vindimas. O caminho de ferro foi um dos motores de desenvolvimento do Pinhão, e foi por isso, a primeira freguesia do distrito de Vila Real a ter telefone, correio permanente, água canalizada e Casa do Povo.
Depois de deixarmos as coisas no hotel, seguimos para Ervedosa do Douro onde fizemos o percurso pedestre “Rota das Vinhas” de sensivelmente 17 km. Pelo percurso, corremos as vinhas, vemos o rio à espreita e vamos aos "ésses" entrando pela paisagem, observando as cores mudar e descendo até à Quinta de S. José, que visitámos, e onde ouvimos a explicação do actual enólogo e dono da propriedade, saboreando 3 dos seus vinhos aos quais ficámos rendidos pelo sabor realmente distinto do Vinho do Porto a que estávamos habituados. Subida de volta a Ervedosa e jantar pelo Pinhão.
Ervedosa do Douro
No dia seguinte, percurso pela Quinta das Carvalhas, localizada do outro lado da Ponte que nos leva ao Pinhão. Cerca de 10 km a percorrer uma propriedade única e antiga, desde a década de 1950 pertença da Real Companhia Velha.
Quinta das Carvalhas
Fomos acompanhados por um Engenheiro Agrónomo que deixava transparecer o seu gosto pelo trabalho e pela terra onde vive. Ama cada planta, conhece-as e respeita-as. Conta-nos os seus segredos e é impossível não sairmos de lá mais sensibilizados para com a Natureza e com aquilo que magnificamente nos pode dar.

"Visitar a Quinta das Carvalhas é ver o Douro por dentro – com os trabalhos da vinha (como a poda, a escava ou a vindima), a apanha da azeitona ou a reconstrução dos tradicionais muros de xisto – e os melhores ângulos da sua paisagem. É ver vinhas com mais de 80 anos e encostas com 70 graus de declive; é admirar os rios Douro e Torto; é desfrutar de fauna e da flora em simbiose: pela Quinta das Carvalhas, para além de vinha, estão espalhadas zonas de mata, floresta, olival e jardins, construídos com pedras de granito antigas e esteiros de xisto e onde foram plantadas várias espécies de flores, plantas e ervas aromáticas."
No final da visita, houve nova prova de vinho e depois seguiu-se um passeio, pelo Douro, em barco rabelo para montante em direção à foz do rio Tua. Através de um áudio-guia, foram-se avistando outras quintas vinhateiras com casas de sonho, isoladas nas encostas, socalcos até ao rio e vinhedos. Passámos a Quinta dos Alvedos (onde se filmou a parte final do flme português "A Gaiola Dourada") e foi-nos oferecido vinho da Quinta do Portal.
Santuário da Nossa Senhora dos Remédios - Lamego
Comboio no vale do Douro
A chuva chegou para anunciar o regresso a Lisboa, mas nós ainda voltámos a Lamego para lanchar e para subir os 613 degraus do Santuário da Nossa Senhora dos Remédios. Lamego é muito bonita, considerada uma cidade histórica e monumental, pois possui uma grande quantidade de monumentos, igrejas e casas brasonadas, o que a faz ter um bonito centro histórico. 
Vale a pena pensar seriamente numa visita a esta zona!
Curiosidades:
"Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), mais conhecido por Marquês de Pombal, viria a mudar a situação económica da região, ao criar a primeira região vitícola regulamentada do mundo, demarcando o Douro Vinhateiro (1757-1761), através da colocação de grandes marcos de granito, no terreno, com a palavra “Feitoria”. 
A paisagem atual da região do Douro, caracterizada pelos socalcos, foi construída durante a década de 70, com a aplicação de novas técnicas de plantio da vinha, em patamares, com muros de xisto a delimitar cada nível. Esta alteração da paisagem pela atividade humana, contribuiu para que o Alto Douro Vinhateiro fosse considerado Património Mundial da Humanidade, pela UNESCO, em 2001."

sexta-feira, 20 de março de 2015

Hampi


Monkeys on the climb to Matanga Hill

 Details of Hampi

The wonderful view from Matang Hill. The picturesque sight from the top comprises the Tungabhadra River, the Kodanda Rama temple, the Veerbhadra temple and the Turthu canal.
Stone chariot in the Vithala Temple Complex
Worker keeping the floor clean of weeds
Vithala Temple Complex
Stepped tank
Lotus Temple
José sketching at Elephant Stables
          
Steps of the Mahanavami Dibba pyramid
Streets of Hampi

Making offerings to the gods. Being grateful for the water.
Sunset at Hemakuta Hill
Elephant Stables
View to  Virupaksha Temple
Woman in a small village near Hampi
Boy selling postcards and guides that stopped to talk with us 
Chegámos a Hampi às 7h30 da manhã, depois de 8h30 no sleeper bus que nos surpreendeu pela positiva! De um lado do autocarro tem camas de casal e do outro camas individuais, todas com portas de correr para se ter alguma privacidade e descanso. Este autocarro tinha inclusive fichas de electricidade e a nível de higiene não estava tão mau como poderíamos espectar! 
A esta altura da viagem, reflectimos sobre o nosso percurso na Índia, mas ainda não conseguimos perceber se gostamos dela ou não. Há muito que aprender e ver ainda para se reflectir sobre este ambiente em que a Índia nos envolve, as suas pessoas e todos os estrangeiros que a procuram por diversos motivos, desde a espiritualidade, até aprendizagem, interiorizações, buscas pessoais, novos começos...há de tudo. Conhecemos pessoas que vieram à Índia por um curto período e acabaram por voltar para aprofundar o seu yoga ou simplesmente para ficarem mais tempo num local que gostaram. Outras deixaram tudo para trás, foram viver para um ashram, sem dinheiro ou posses e algumas enfrentam dificuldades para sair agora dessa opção.
Mas Hampi pareceu-nos um local onde se pode ficar por meses, sendo, no entanto, uma pequena aldeia de terra batida e poucas infra-estruturas. Foi por isso fácil deitar cedo e acordar com o Sol para percorrer as ruas estreitas mas cheias de lojas de artesanato e vestuário, ou tomar o pequeno-almoço num dos agradáveis terraços com almofadas e mesas no chão para ficarmos a relaxar ao ritmo suave de Hampi.
Ali senti-me a aprender a ouvir ainda melhor o meu corpo, a criar um ritmo que gostaria de ter e que sei ser difícil em países com distracções nocturnas ou no nosso, com amigos para encontrar ao fim do dia e fins-de-semana, internet e tv. 
Mas passar por estas experiências também nos faz querermos mudar algumas coisas no nosso ritmo e fazer alterações ao nosso estilo de vida, sabendo do que é necessário prescindir para estarmos melhor.
Descobrimos Hampi porque alguém com quem falámos nos recomendou e, apesar do desvio, valeu a pena! É um dos locais Património da Humanidade da UNESCO e fica localizada no estado de Karnataka. 
Entre os seus montes e vales, o que caracteriza o local são os seus mais de 500 monumentos e ruínas a visitar de bicicleta ou tuk-tuk. Os mais próximos da vila visitam-se a pé, passando por rebanhos de ovelhas e cabras e macacos brincalhões (que estão por todo o lado). Há bastantes locais com maravilhosas vistas para as ruínas e de onde se observa o pôr e o nascer do Sol.
Foi um encanto para nós percorrer aquelas ruínas, observar tudo com atenção e subir a lugares altos para ver as vistas. Sentia-se o sossego e podíamos ficar horas sentados a contemplar...
Como todos os locais na índia, Hampi também é feita das pessoas que lá vivem. Algumas podem ser um pouco intrometidas porque querem vender algo (ou na sua loja ou uma tour de tuk-tuk ou bicicleta, ou até mesmo crianças cheias de lábia que vendem postais e guias), mas outras não têm qualquer interesse senão estar um pouco connosco a conversar ou partilhar um momento, e é dessas que melhor recordamos...
Hampi fica na memória pelo seu estilo de vida tranquilo e ritmo diário sereno. Cheia de cantos que nunca conheceremos, infindáveis detalhes nas suas imensas ruínas de palácios, mercados, pavilhões e palácios reais, monumentos, estátuas... e incontáveis pores-do-Sol.

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We arrived in Hampi at 7:30 am, after 8:30 on the sleeper bus that surprised us positively! On one side of the bus it has double beds and on the other side, single beds, all with sliding doors to have some privacy and allow us to rest. This bus had electricity and hygiene level was not as bad as we could expect!
At this point of the trip, we reflected on our journey in India, but we still have to decide if we like it or not. There is still much to learn and see so we could think about this environment that surrounds us, its people and all foreigners who come to India for various reasons, from spirituality, to learning, personal searches, new beginnings... We can find all the reasons! We know people who came to India for just a short period and eventually they returned to deepen their yoga or just to spend more time in a place they loved. Other left everything behind, went to live in an ashram, without money or possessions and some are now struggling to get out of that option.
But Hampi seemed to us a place where we could stay for months even if it's a small village of dirty roads and almost no infrastructures. 
It was so easy to go to bed early and wake up with the Sun to go through the narrow streets full of craft shops and clothing stores, or to take breakfast in one of the nice terraces with tables and cushions on the floor. Just relaxing in the smooth rhythm of Hampi .
There I felt learning to hear even better my body, creating a rhythm that I would like to have and which I know is difficult in countries with night distractions or in our own country, where our friends live and meet us in the evenings and weekends, or where we have internet and tv.
But go through these experiences also makes us wanting to change some things at our pace and make changes to our lifestyle, knowing what is necessary to leave behind for being better.
We found Hampi because someone we spoke to recommended it to us and despite the deviation on the way, it was worth it! It is one of the UNESCO heritage sites of the World and is located in the state of Karnataka.
Among its hills and valleys, what characterizes the place are its more than 500 monuments and ruins to visit by bike or tuk-tuk. The nearest to the village can be visited on foot, passing flocks of sheeps and goats and playful monkeys (which are everywhere). There are plenty of places with wonderful views of the ruins and where we can see the sunset and the sunrise.
It was a charm for us navigate those ruins, observe everything carefully and climb to high places to see the sights. We could feel the quietness and spend hours seated just contemplating...
Like all places in India, Hampi is also made of the people who live there. Some may be a bit nosy because they want to sell something (or in their store or some tuk-tuk or bicycle tour, or even children selling postcards and guides), but others have no interest but be a little with us to talk or share a moment, and it is these people that we better remember...

Hampi stays in memory for its peaceful lifestyle and serene daily rhythm. Full of corners that we will never know, endless details in its immense ruins of palaces, markets, pavilions, royal palaces, monuments and statues...and countless sunsets.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Munnar, terra do verde, do chá e das sanguessugas // Munnar, land of green, tea and leeches

Street market
Munnar center
Catholic church, Munnar. Shoes outside.
Tea plantations
Tea plantations

23.10 – Ao chegarmos tomámos um delicioso duche quente, (daqueles que enchem o WC de vapor de água) e tive noção que já não tomava um duche quente há bastantes semanas. Desde Colombo, no Sri Lanka, se não estou em erro! As temperaturas altas e a falta de aquecimento na maioria dos hóteis por onde passámos têm feito com que a água fria se tenha tornado uma presença constante, sem que isso tenha, necessariamente, sido uma má coisa. Mas aqui em Munnar as temperaturas são mais baixas e a água da torneira é demasiado fria para ser apetecível.
No dia seguinte fizémos um trekking pelas plantações de chá, a principal fonte de rendimento e de trabalho da cidade. É uma paisagem impressionante!
Disseram-nos que por vezes se conseguem avistar elefantes mas nós só avistámos as suas fezes em locais que pensávamos serem de acesso impossível para um animal daquele porte.
Em vez disso, tivémos a presença de sanguessugas nos sapatos! Bem, nunca tínhamos visto nenhuma e pensava-as maiores e mais gordas. Algumas conseguem ser bem pequenas e quase não darmos por elas e, por isso, depois de passarmos as pernas por vegetação alta, fazíamos uma pausa para ver se alguma tentava agarrar-se à bota ou que pudesse ter mesmo entrado para o sapato ou para as calças.
Estava um dia chuvoso, o que não nos deu uma boa visualização do alto dos montes a mais de 2000 m de altitude a que subimos (Munnar é uma terra localizada a elevada altitude, por isso os montes não são altos como a Serra da Estrela, mas estão facilmente a uma altitude mais elevada que esta). Mas essa mesma neblina permitiu umas fantásticas fotos de uma paisagem que já por si era magnifíca. “Degraus” de plantações pelas colinas fazem uma decoração natural perfeita para aquele local tão visitado por turistas indianos pelo verde que eles tanto adoram.
Nessa noite dormimos bem mas só depois dos festejos do Diwali terminarem. O chamado “Festival das luzes” é das maiores comemorações Hindus na Índia, na qual eles acendem velas e candeeiros nas ruas, templos e casas e vêem-se vários fogos de artíficio pelas cidades. Em Munnar parecia Carnaval, com miúdos e adultos a divertirem-se com estalinhos e morteiros.
Os dias ali passados foram de descanso. O centro da cidade é pequeno, com vários mercados de rua e lojas de chocolate. Três templos principais nas três colinas da cidade (Católico, Hindu e Budista) constituem os principais pólos de movimento dos locais. Num dos nossos almoços conhecemos um casal de italianos que trabalham em Mumbai e estavam de férias. Trocámos impressões do país e ouvimos recomendações de comida e sítios a visitar.
Tempo de apanhar o autocarro de longa distância para Bangalore, onde depois veremos como podemos conseguir chegar a Hampi, o nosso próximo destino!

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23:10 - When we arrived we took a delicious hot shower, (those ones that fill the bathroom with steam) and I realized we didn't have one in weeks. Since Colombo, Sri Lanka, if I am not mistaken! The high temperatures and the lack of heaters in most hotels where we stayed have made the cold water a constant presence, without this having necessarily been a bad thing. But here in Munnar temperatures are lower and the tap water is too cold to be delicious.
The next day we made a trek through the tea plantations, the main source of income and labour. It is an impressive landscape!
We were told that sometimes elephants can be seen but we only saw their dung where we thought impossible to access for an animal that size.
Instead, we had the presence of leeches on the shoes! Well, we've never seen any and thought woulb be larger and fatter. Some can be very small and hardly noticeable, so, after passing through high vegetation, we made a break to see if any tried to cling to the boot or could have even entered the shoe or pants.
It was a rainy day, which did not give us a good view of the top of the mountains over 2000 m of altitude we go up (Munnar is a land located at high altitude, so the mountains are not as high as "Serra da Estrela", but are easily at a higher altitude). But that same fog allowed fantastic pictures of a landscape that in itself was magnificent. "Steps" of the hills plantations make a perfect natural decoration for that location so visited by Indian tourists for the green they love so much.
That night we slept well but only after the Diwali celebrations are over. The so-called "Festival of Lights" is the biggest Hindu celebration in India, when they light candles and lamps in the streets, temples and homes and several fireworks can be seen in the cities. It seemed like Carnival in Munnar, with kids and adults having fun with firecrackers.
The days spent there were of rest. The city center is small, with several street markets and chocolate shops. Three main temples in the three hills of the city (Catholic, Hindu and Buddhist) are the main locations of the motion poles. At one of our lunches we met an Italian couple who work in Mumbai and were on vacation. We exchanged impressions of the country and hear food recommendations and places of interest.
Time to catch the long distance bus to Bangalore, where then we'll see how we can reach Hampi, our next destination!

Susana

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Onde a água doce encontra a salgada // Where freshwater meets sea water

Kerala's Backwaters
Backwaters island and boat
Backwaters local washing her cow

Chinese fishing nets
Santa Cruz Cathedral interior
Canoe's "driver"
Santa Cruz Cathedral, Fort Kochi
backwaters village house
Backwaters boat ride
22.10.2014 - Deixámos hoje Kochi onde nos últimos dias fomos ficando porque apanhei uma virose que me fez ter febre e diarreia. Pelo sim, pelo não, fui ao médico. Disseram-me para ir ao hospital público: confusão de gente em fila para ser atendida. Era sentar na cadeira ao pé do médico, contar as desgraças, trazer a receita e venha o próximo. Os medicamentos são dados (sim, dados) à quantidade e não à caixa. Mas não contente com o veredicto, procurámos uma clínica privada onde fui atendida com mais atenção. A conta final, com medicamentos incluídos, deu à volta de 6 euros.
Kochi não tem muito que ver: mesquitas, palácios holandeses e redes de pesca chinesas, alguns edifícios de influência portuguesa e igrejas católicas (a Catedral de Santa Cruz foi a mais curiosa que vi até hoje. Uma mistura de decoração ocidental com indiana deu numa igreja cheia e com néons à volta de Maria, no altar), .
Podem fazer-se tours organizadas às Backwaters: canais, rios e lagos interligados num sistema labiríntico criando um ecossistema único onde a água doce dos rios encontra a água salgada do Mar Arábico, (estas tours acabam por compensar pois não são caras) e vale a pena.
Deu para relaxar num tranquilo passeio de barco por entre ilhas e canais cheios de vida animal, aves principalmente, e flora tropical, e ainda conhecer uma rapariga sérvia que estava no final da sua viagem de 1 mês pela região de Kerala. Partilhou connosco algumas impressões e sugestões do Sul, o que foi uma boa ajuda para quem tinha praticamente acabado de chegar!
O nosso hotel, Mother Tree, fica em Fort Kochi, a zona tranquila da cidade onde se podem passar uns dias calmos, longe da confusão das cidades indianas. Junto a ele há um pequeno restaurante familiar chamado Taj Mahal onde comemos na maior parte dos dias pois era muito em conta em comparação com os preços que encontrámos na cidade. Comida boa e sentimo-nos sempre em casa, pois a esplanada era, literalmente, nas traseiras da casa da família!
Como já me sinto melhor, apanhámos o autocarro de Kochi para Munnar, mais para o interior do Sul da Índia. A viagem faz-se por entre pequenas povoações e solavancos num autocarro velho e sujo de janelas sempre abertas, pois não tem vidros. A certo ponto a paisagem muda, o ar refresca e começamos a subir em altitude. A estrada serpenteia pela floresta tropical densa, passamos macacos à beira da estrada, quedas de água tímidas e outras imponentes. Locais de beleza incrível que me surpreendem pela imensidão de vida, verde e de locais escondidos e sozinhos. Ao começarmos a descer a floresta abre, mais casas e vacas a pastar... o autocarro vai parando. Pessoas vão entrando e saindo. A viagem continua.

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22/10/2014 - We left Kochi today where we kept staying in the last few days because I got a virus that made me have fever and diarrhea. In doubt, went to the doctor. I was told to go to the public hospital: A big mess of people queueing to be seen by the doctor. It was sitting in front of the doctor, tell the woes, take the prescription and repeat. The drugs are given (yes, free) in the exact quantity and not the full box of pills. But not happy with the verdict, I sought a private clinic where people were seen with more time and attention. The final bill, including medicines, was around 6 euros.
Kochi does not have much to do: mosques, Dutch palaces and Chinese fishing nets. some buildings of Portuguese influence and Catholic churches (the Cathedral of Santa Cruz was the most curious I saw today, a mixture of western and Indian decor that resulted in a full church with neons around Mary, on the altar), 
Tours can be organized to go to the Backwaters: canals, rivers and lakes interconnected in a labyrinthine system, creating a unique ecosystem where fresh river water meets the salt water of the Arabian Sea (these tours end up worthing and are not expensive).
It was good to relax in a tranquil boat ride through islands and channels filled with wildlife, birds mainly, and tropical flora, and still get to know a Serbian girl who was at the end of her one month trip by the Kerala region. She shared with us some impressions and suggestions for  the south, which was a good help for us, who had practically just arrived!
Our hotel, Mother Tree, located in Fort Kochi, the quiet part of town where you can spend a few quiet days, away from the hustle of Indian cities. Next to it there is a small family restaurant called Taj Mahal where we ate in most days, it was very affordable compared to the prices we found in the city. The food is really good and we feel always at home because the tables were literally in the backyard of the family home!
As I feel better, we took the bus from Kochi to Munnar, further inland of South India. The trip is done through small villages and bumps in an old and dirty bus, windows always open because it has no glass. At one point the landscape changes, the air cools and began to climb in altitude. The road winds through dense rainforest, we see some monkeys on the roadside, some shy waterfalls and others imposing. Incredible beauty spots that surprise me by the immensity of life, green and hidden and alone locations. As we begin to descend the forest opens, more houses and cows to graze... the bus will stop. People go in and out. The journey continues.


sábado, 15 de novembro de 2014

Índia, autocarros, tuk-tuks e templos - O 1º impacto // India, buses, tuk-tuks and temples - The first impact

Tuk-tuk drive

Streets of Madurai
Gandhi Memorial Museum from outside
Aterrámos em Madurai, no Sul da Índia, um aeroporto modesto, com um multibanco que não funcionava. Foi fácil arranjarmos um tuk-tuk que nos levasse ao hotel por um preço modesto e que ainda parásse num multibanco para conseguirmos algum dinheiro.
Ficámos num hotel bem localizado junto ao templo principal da cidade: Meenakshi Amman Temple, um local grandioso e considerado por muitos como o ponto alto da arquitectura do sul da Índia, tão vital para a região como o Taj Mahal para o Norte da Índia. E nós não lhe tiramos nenhum mérito! Desde logo sentimos a profunda espiritualidade dentro daquele local, com pessoas a meditar, famílias sentadas no chão a comer e outras pessoas de fé a visitar os seus deuses. É um local escuro e é necessário descalçarmo-nos à entrada. Por dentro das torres do templo há um pátio circundante onde, naquele dia, faziam uma cerimónia festiva com uma espécie de carro alegórico, o qual todos queriam tocar. Na sua frente ia um magestoso elefante a passo vagaroso. Já o tínhamos visto anteriormente dentro do templo. São criaturas imponentes e sensíveis ao mesmo tempo. Transmitem força e doçura, e essa paridade atrai-nos, fazendo-nos ficar a contemplá-lo por longos momentos.
Algo novo foi quando o elefante defecou, algumas pessoas foram a correr pisar as suas fezes e chamar os filhos para o fazerem. São animais sagrados, e como tal, tudo o que advém deles poderá ser portador de boa sorte.
Para o dia seguinte visitámos o Gandhi Memorial Museum de entrada gratuita e que vale muito a pena pela quantidade de informação sobre toda a história da Índia desde a altura das colonizações até à vida e luta de Gandhi pela sua independência. As vestes que ele usava no momento em que foi assassinado estão lá presentes. Foi um lugar onde saímos mais ricos depois da sua visita.
Até ali tinha sido fácil arranjarmos transportes pois no hotel diziam-nos quanto deveríamos pagar e chamavam o tuk-tuk. Depois do museu tivemos a nossa primeira experiência neste país, com um senhor que não nos dizia quanto queria mas apenas: “No problem! You like money!”. Mostrou-nos várias fotos de turistas que gostaram dos serviços dele, para apelar ao nosso sentimento (o que é muito vulgar na Índia), e assim sendo é díficil o diálogo quando se parte do príncipio que todos os turistas são iguais e/ou podem despender do mesmo dinheiro... A caminho do hotel, parámos ao pé de um polícia na rua que disse algo ao nosso motorista. Este perguntou-nos se tínhamos uma esferográfica e foi dá-la ao polícia. Ficámos sem caneta e sem perceber nada!
Madurai tem muito tráfego, barulho e buzinadelas. É bom para nos acostumarmos a deambular por entre o trânsito nesta “dança” de movimentos fluídos e comum na Índia.
Dia 14 de Outubro apanhámos um autocarro para Kochi, no Estado de Kerala. Eram um bus nocturno, todos sentados e sem AC. Janelas abertas, 30 graus e siga! 

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Landed in Madurai, South India, a modest airport with an ATM that did not work. It was easy to get a tuk-tuk to take us to the hotel for a modest price and still stop in an ATM to get some money.
We stayed in a well located hotel next to the city's main temple: Meenakshi Amman Temple, a majestic place and considered by many as the highlight of South Indian temple's architecture, so vital to the region as the Taj Mahal to the North of India. And we didn't take it any merit! We immediately felt the deep spirituality within that place where people were meditating, families sitting on the floor eating and other people with their own faith visiting their gods. It is a place with low light and you need to take off your shoes at the entrance. Inside the temple towers is a surrounding courtyard where, on that day, was taking place a festive ceremony with a kind of wooden car with a deity, which everyone wanted to touch. In the front of it, a majestic elephant was slowly walking. We already had first seen it inside the temple. Elephants are imposing and sensitive creatures at the same time. It transmit us strenght and sweetness, and this parity attracts us, making us contemplate it for long moments.
Something new to us was when the elephant dropped a poop, some people ran to step on it and called the children to do the same. These are sacred animals, and as such, all that comes of them may be the bearer of good luck.
For the next day we visited the Gandhi Memorial Museum, entry is free, it worths ugelly for the amount of information on the history of India from the time of colonization to the life and struggle of Gandhi for independence. The clothes he wore when he was assassinated are exhibited there. It was a place from where we left richer after its visit.
Until then it had been easy to get transport because the hotel where we were staying told as how much we should pay and called for the tuk-tuk. After the museum we had our first experience in this country with a man who not told us how much he wanted but only: "No problem! You like money. " He showed us several photos of tourists who liked his services, trying to get into our hearts (very common in India), so it is a difficult dialogue when it is assumed all tourists are equal and can spend the same amount of money... On our way to the hotel, we stopped near a policeman on the street who said something to our driver. Then our driver asked us if we had a pen and gave it to the police man. We ended up with no pen and wondering what happened!
Madurai has a lot of traffic, noise and honks. It's good to get used to stroll through the traffic in this fluid movements "dance" common in India.
October 14, we catched a bus to Kochi, Kerala State. It was a night bus, all sitting and without AC. Windows open, 30 degrees and go!