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terça-feira, 26 de junho de 2018

Viajar na gravidez?




Para começar, é importante lembrar que cada pessoa é única e portanto as exigências perante uma gravidez vão ser diferentes. Ouve o teu corpo. Há quem fique muito cansada logo no 1º trimestre, há quem ande sempre com sono, quem tenha muita fome, enjoos, náuseas e quem tenha mais necessidade de ir ao wc. Nenhuma dessas possibilidades são impeditivo para nada! As coisas conseguem sempre fazer-se com calma e se o quisermos mesmo.

Viajar no 1º trimestre
Marcámos a viagem para a Islândia muito antes de eu sonhar que ia estar grávida. E quando isso foi uma realidade, o desejo de ir era tanto que estava com medo de referir a viagem ao médico só para não ter de ouvir que não devia ir.
Mas não me enchi de medos não fundamentados. Achei que se a gravidez estava a correr bem, não haveria problema algum. Todos os médicos com quem falei até me incentivaram a divertir-me e a aproveitar bastante...Não houve sequer o problema por ser nos primeiros 3 meses em que há risco de aborto espontâneo. Se não tinha tido nenhum problema até ao momento, continuei a acreditar que as coisas correm mal para quem já acha à partida que vão correr mal.
Mývatn Nature Baths: 1º trimestre

Assim sendo, viajámos de avião no primeiro trimestre. Ainda não tinha 3 meses de gestação e a barriga quase não se notava. Mas a gravidez estava lá. Não houve problema nenhum. Nem no avião, nem depois quando alugámos uma carrinha com cama para percorrer a Islândia em 2 semanas.
Tive a sorte de ter uma gravidez santa. Nada de enjoos, sangramentos, alterações de humor ou desejos, portanto, no meu caso, considero que viajar tenha sido fácil!
Caminhei bastante, evitei grandes esforços e principalmente carregar mochilas pesadas - cingi-me ao essencial para não levar muito atrás. De início não precisei de me sentar mais do que precisava antes.
Andámos de barco para observar baleias, estava 1 pouco receosa mas quem se sentiu enjoado foi o pai!
Whale watching na Islândia: 1º trimestre

Alimentação
Na alimentação, as grávidas precisam de tomar algumas precauções. No meu caso, sou imune à toxoplasmose, portanto comi saladas e frutas em todo o lado. Já desde o início do ano que tinha deixado de comer carne e ainda bem que pude não me privar dos vegetais -  algo que eu considero ter sido também a chave para nunca ter tido obstipação durante a gravidez: comer bastantes vegetais cozinhados e diversos.
Mas para quem não é imune, porque não levar consigo o seu próprio desinfetante para as frutas e fazer a comida no apartamento ou hostel onde ficar?
De resto, é bem simples:
- Nos restaurantes, optar por pratos saudáveis e com vegetais bem cozinhados.
- Não comer ovos crus ou mal cozinhados;
- Não comer marisco;
- Beber sempre muita água - preferir água a bebidas açúcaradas;
- Comer frequentemente ao longo do dia;
Quando se quer, tudo é possível, certo?

Dica: iogurtes naturais probióticos e sem açúcar são óptimos para combater infeções urinárias.
A nossa casa na Islândia

Viajar de carro no 2º trimestre
Aos 6 meses de gestação fomos fazer uma roadtrip por Espanha. Partimos de Lisboa e fomos até Granada em 2 semanas. Fomos ficando em hóteis e em parques de campismo quando estávamos fora das cidades. A barriga estava maior e o calor era mais que muito.
Dizem que este trimestre é o mais aconselhável para se viajar.
Precauções: apenas ouvir-me e saber o que precisava. 
- Bebi muita água;
- Evitei caminhar ao Sol;
- Parei mais vezes durante as caminhadas para comer qualquer coisa ou ir ao wc (por causa das infeções urinárias convém não retermos demasiado).
- Quando a viagem de carro era maior, fazíamos paragens frequentes para esticar as pernas.
- Tentei não saltar refeições, alimentar-me frequentemente e não comer apenas as habituais sandes de queijo que nos costumam acompanhar.
Roadtrip Espanha: No carro

Caminhei bastante e senti que, apesar de me sentir bem, o corpo já não acompanha tudo o que queremos. Debaixo de tanto calor parei muitas vezes para descansar e aproveitava para comer um gelado e refrescar-me. Ou seja, tudo foi feito mais devagar, mas nem por isso deixámos de fazer coisas ou nos pareceu mais chato...Pelo contrário!
Sei de outras mães que se fartaram de viajar de avião, carro e barco. Nada é impeditivo se nas nossas cabeças não o for.
Granada: 6 meses

Viajar de avião
Se for para viajar de avião, é importante estar atento às exigências das companhias aéreas porque algumas requerem atestados médicos a partir de determinadas semanas de gravidez e há também um limite de gestação para deixarem viajar.
Acampando no Sul de Portugal: 6 meses

Viajar no 3º trimestre
Continua a ser possível. O Zé nasceu prematuro e como tal, não quis que eu viajasse durante o 7º mês com receio que a bebé também fosse nascer prematura. Mas às 36 semanas ainda fomos até perto de Grândola para um fim-de-semana relaxante no Sobreiras - Alentejo Country Hotel. Só silêncio e piscina. A única preocupação foi encontrar um sítio a não mais que hora e meia de Lisboa pois caso fosse preciso, queríamos conseguir chegar ao hospital.

Sobreiras: 36 semanas

Conclusão: viajar na gravidez, sim. Muito! Se esta assim o permitir e não for de risco.
O melhor conselho: libertarmos a cabeça de pensamentos e medos e aprender apenas a escutar o corpo. É o melhor conselheiro. Repousar quando ele o pedir, parar se doer alguma coisa, ir mais devagar. Mas não deixar de fazer. Tudo isso fará com que a gravidez seja ainda mais extraordinária e nos sintamos bem connosco!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Avis e Ponte de Sôr

Ponte de Sôr
Zé sketching in Ponte de Sôr

Zona Ribeirinha / Ponte de Sor waterfront
Avis' walls
Avis
Avis
Avis
Avis
Sketching in Avis
Avis
Avis
Chaminé / Avis chimney
Avis detail
Avis
Avis
Três dias que passaram a correr, como sempre, quando se espera o contrário!
A paz que se sente em Avis é daquelas que nunca queremos deixar de sentir...
Estacionamos o carro junto à igreja e um pequeno cãozinho caminha atabalhoadamente enquanto a dona, babada com a sua aquisição, ri para nós e fala-lhe alto.
Não se passa mais nada no largo da igreja. Para além disso, umas vizinhas conversam nos bancos de jardim do largo que está bem adornado com bonitas laranjeiras. "Pode levar! Isso aí é de todos!" - diz-me um senhor de boina que passa e me vê a olhar para as laranjas.
Vila pequena, construída estrategicamente no cimo do monte, pertencente ao distrito de Portalegre. Cá em baixo, o complexo das Águas do Maranhão e o progresso que se vê nas habitações e indústrias que crescem à volta não combinam com o pequeno centro histórico onde há paz: poucos carros, poucas pessoas, pouco movimento.
O contrário de Ponte de Sôr, distrito de Portalegre, onde estivemos antes de chegarmos a Avis. Demos uma volta pelo centro e zona ribeirinha, de onde se vê a ponte oitocentista sobre a ribeira do Sôr, que dá nome à cidade. 
A zona ribeirinha, foi recentemente reabilitada, para dar uma cara nova a Ponte de Sôr. Passeia-se tranquilamente junto à ribeira. De um lado a água, do outro relva e bancos onde alguns habitantes mais idosos descansam com o seu cãozinho. Os mais jovens vão para a esplanada do café ali ao lado. 
Chegados quase ao fim do passeio encontramos uma zona para exercícios e uma pequena ponte moderna onde um casal namora mais escondido dos olhares.
Dirigimo-nos para o centro da cidade onde encontramos a azáfama de pessoas que passam, cafés, esplanadas, carros, lojas e um pequeno cinema.
O dia está quente, aproveitamos para lanchar numa croissanteria e seguir caminho.

Avis é um local pitoresco e cheio de história. Foi sede de uma das mais importantes ordens militares, a Ordem de Avis, e também deu nome a uma das dinastias portuguesas.
Casas baixas, muita luz por serem caiadas de branco com a típica pintura alentejana em azul ou amarelo e rodeadas pelas muralhas da vila. Hoje ela já cresceu além disso e ganha infraestruturas novas.
Mas junto à igreja, lá bem no coração da vila, os senhores continuam sentados nas cadeiras do café. Cá fora à sombra, para verem quem passa. Todos os dias ali estão a cumprimentarem os vizinhos e a ouvirem a música que vem dos ensaios da banda, na porta ao lado. 
As crianças brincam no largo sem grades ou restrições e ao fim do dia, duas meninas escorregam divertidas por um muro inclinado junto ao novo jardim/miradouro onde poucos idosos se vêm sentar pelo fresco de um Sol que já vai baixo.

Avis, tal como tantas outras vilas portuguesas, é um local com muito para dar e tanto para descobrir. Cheio de história, bons restaurantes com gastronomia típica e prédios devolutos que nos contam projectos que estão a ganhar forma. 
Haja mais vida e vontade em locais destes, que nos fazem tão bem!

No regresso a Lisboa ainda houve tempo para pararmos no Fluviário de Mora e para um pequeno passeio em Mora. De Avis a Mora passámos por estradas secundárias de terra batida que não estão indicadas no mapa e onde observámos abelharucos, cegonhas, rapinas e gado a pastar por entre campos de oliveiras, cultivo e prados verdes.
Voltámos para Lisboa num ritmo bem lento... para o choque não ser grande :)

//

Three days that passed running, as always, when we expect the opposite!
We never want to stop feeling the peace that is felt in Avis...
We parked the car next to the church and a small dog walks awkwardly while the owner, thrilled with her acquisition, laughed at us and spoke loudly to the dog.
It didin't pass anything else in the church square. Only, some neighbors were talking seated in the benches of the square, that is well adorned with beautiful orange trees. "You can take it! Is from everyone!" - Tells me a man with a beret who passes by and sees me looking at the oranges.
Small village, built strategically on top of the hill, belonging to the Portalegre district. Down there, the complex of Maranhão Waters and the progress seen by the construction and industries that grow around do not match with the small historical center where there is peace: few cars, few people, few movement.
The opposite of Ponte de Sôr, Portalegre district, where we went before we get to Avis. We strolled through the center and waterfront, where you can see the nineteenth-century bridge on the Ribeira de Sôr, which gives its name to the city.
The waterfront has been recently rehabilitated, to give a new look to Ponte de Sor. We can walk quietly along the riverside. On one side the water, on the other grass and benches where some older inhabitants rest with their small dogs. Most young people go to the terrace cafe nearby.
Almost at the end of the ride we find an area for exercises and a small modern bridge where a couple has been dating more hidden from other looks.
Heading into the city center where we find the hustle and bustle of people passing, cafes, terraces, cars, shops and a small cinema.
The day is hot, so we take the opportunity to snack on a croissanteria and keep going our way after that.

Avis is a picturesque place and full of history. It hosted one of the most important military orders, the Order of Avis, and gave name to one of the Portuguese dynasties.
Low houses, lots of light because they're whitewashed with typical Alentejo paintings in blue or yellow and surrounded by the village walls. Nowadays it has grown beyond that and is gaining new infrastructures.
But next to the church, there, in the heart of the village, men still sitting in the cafe chairs, in the shade, to see who passes. Every day they are there greeting the neighbors and hearing the music coming from the band rehearsals, next door.
Children play in the square without bars or restrictions and in the evening, two girls slip by a sloping wall next to the new garden / viewpoint where some older people come to sit in the fresh from a sun that goes already low.

Avis, like so many other Portuguese towns, is a place with a lot to give and so much to discover. Full of history, good restaurants with local cuisine and vacant buildings that rely on projects that are taking shape.
We hope that there will be more life and will in places like this one, that make us so well!

On our return to Lisbon there was still time to stop and visit the Fluviarium of Mora and for a short walk in Mora. From Avis to Mora we passed on secondary and dirty roads that are not indicated on the map and where we observed bee-eaters, storks, birds of prey and cattle grazing through olive groves, farmings and green meadows.

We returned to Lisbon in a very slow pace ... for a not so big shock! :)

Para saber mais // To know more:
Freguesia de Avis

sexta-feira, 20 de março de 2015

Hampi


Monkeys on the climb to Matanga Hill

 Details of Hampi

The wonderful view from Matang Hill. The picturesque sight from the top comprises the Tungabhadra River, the Kodanda Rama temple, the Veerbhadra temple and the Turthu canal.
Stone chariot in the Vithala Temple Complex
Worker keeping the floor clean of weeds
Vithala Temple Complex
Stepped tank
Lotus Temple
José sketching at Elephant Stables
          
Steps of the Mahanavami Dibba pyramid
Streets of Hampi

Making offerings to the gods. Being grateful for the water.
Sunset at Hemakuta Hill
Elephant Stables
View to  Virupaksha Temple
Woman in a small village near Hampi
Boy selling postcards and guides that stopped to talk with us 
Chegámos a Hampi às 7h30 da manhã, depois de 8h30 no sleeper bus que nos surpreendeu pela positiva! De um lado do autocarro tem camas de casal e do outro camas individuais, todas com portas de correr para se ter alguma privacidade e descanso. Este autocarro tinha inclusive fichas de electricidade e a nível de higiene não estava tão mau como poderíamos espectar! 
A esta altura da viagem, reflectimos sobre o nosso percurso na Índia, mas ainda não conseguimos perceber se gostamos dela ou não. Há muito que aprender e ver ainda para se reflectir sobre este ambiente em que a Índia nos envolve, as suas pessoas e todos os estrangeiros que a procuram por diversos motivos, desde a espiritualidade, até aprendizagem, interiorizações, buscas pessoais, novos começos...há de tudo. Conhecemos pessoas que vieram à Índia por um curto período e acabaram por voltar para aprofundar o seu yoga ou simplesmente para ficarem mais tempo num local que gostaram. Outras deixaram tudo para trás, foram viver para um ashram, sem dinheiro ou posses e algumas enfrentam dificuldades para sair agora dessa opção.
Mas Hampi pareceu-nos um local onde se pode ficar por meses, sendo, no entanto, uma pequena aldeia de terra batida e poucas infra-estruturas. Foi por isso fácil deitar cedo e acordar com o Sol para percorrer as ruas estreitas mas cheias de lojas de artesanato e vestuário, ou tomar o pequeno-almoço num dos agradáveis terraços com almofadas e mesas no chão para ficarmos a relaxar ao ritmo suave de Hampi.
Ali senti-me a aprender a ouvir ainda melhor o meu corpo, a criar um ritmo que gostaria de ter e que sei ser difícil em países com distracções nocturnas ou no nosso, com amigos para encontrar ao fim do dia e fins-de-semana, internet e tv. 
Mas passar por estas experiências também nos faz querermos mudar algumas coisas no nosso ritmo e fazer alterações ao nosso estilo de vida, sabendo do que é necessário prescindir para estarmos melhor.
Descobrimos Hampi porque alguém com quem falámos nos recomendou e, apesar do desvio, valeu a pena! É um dos locais Património da Humanidade da UNESCO e fica localizada no estado de Karnataka. 
Entre os seus montes e vales, o que caracteriza o local são os seus mais de 500 monumentos e ruínas a visitar de bicicleta ou tuk-tuk. Os mais próximos da vila visitam-se a pé, passando por rebanhos de ovelhas e cabras e macacos brincalhões (que estão por todo o lado). Há bastantes locais com maravilhosas vistas para as ruínas e de onde se observa o pôr e o nascer do Sol.
Foi um encanto para nós percorrer aquelas ruínas, observar tudo com atenção e subir a lugares altos para ver as vistas. Sentia-se o sossego e podíamos ficar horas sentados a contemplar...
Como todos os locais na índia, Hampi também é feita das pessoas que lá vivem. Algumas podem ser um pouco intrometidas porque querem vender algo (ou na sua loja ou uma tour de tuk-tuk ou bicicleta, ou até mesmo crianças cheias de lábia que vendem postais e guias), mas outras não têm qualquer interesse senão estar um pouco connosco a conversar ou partilhar um momento, e é dessas que melhor recordamos...
Hampi fica na memória pelo seu estilo de vida tranquilo e ritmo diário sereno. Cheia de cantos que nunca conheceremos, infindáveis detalhes nas suas imensas ruínas de palácios, mercados, pavilhões e palácios reais, monumentos, estátuas... e incontáveis pores-do-Sol.

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We arrived in Hampi at 7:30 am, after 8:30 on the sleeper bus that surprised us positively! On one side of the bus it has double beds and on the other side, single beds, all with sliding doors to have some privacy and allow us to rest. This bus had electricity and hygiene level was not as bad as we could expect!
At this point of the trip, we reflected on our journey in India, but we still have to decide if we like it or not. There is still much to learn and see so we could think about this environment that surrounds us, its people and all foreigners who come to India for various reasons, from spirituality, to learning, personal searches, new beginnings... We can find all the reasons! We know people who came to India for just a short period and eventually they returned to deepen their yoga or just to spend more time in a place they loved. Other left everything behind, went to live in an ashram, without money or possessions and some are now struggling to get out of that option.
But Hampi seemed to us a place where we could stay for months even if it's a small village of dirty roads and almost no infrastructures. 
It was so easy to go to bed early and wake up with the Sun to go through the narrow streets full of craft shops and clothing stores, or to take breakfast in one of the nice terraces with tables and cushions on the floor. Just relaxing in the smooth rhythm of Hampi .
There I felt learning to hear even better my body, creating a rhythm that I would like to have and which I know is difficult in countries with night distractions or in our own country, where our friends live and meet us in the evenings and weekends, or where we have internet and tv.
But go through these experiences also makes us wanting to change some things at our pace and make changes to our lifestyle, knowing what is necessary to leave behind for being better.
We found Hampi because someone we spoke to recommended it to us and despite the deviation on the way, it was worth it! It is one of the UNESCO heritage sites of the World and is located in the state of Karnataka.
Among its hills and valleys, what characterizes the place are its more than 500 monuments and ruins to visit by bike or tuk-tuk. The nearest to the village can be visited on foot, passing flocks of sheeps and goats and playful monkeys (which are everywhere). There are plenty of places with wonderful views of the ruins and where we can see the sunset and the sunrise.
It was a charm for us navigate those ruins, observe everything carefully and climb to high places to see the sights. We could feel the quietness and spend hours seated just contemplating...
Like all places in India, Hampi is also made of the people who live there. Some may be a bit nosy because they want to sell something (or in their store or some tuk-tuk or bicycle tour, or even children selling postcards and guides), but others have no interest but be a little with us to talk or share a moment, and it is these people that we better remember...

Hampi stays in memory for its peaceful lifestyle and serene daily rhythm. Full of corners that we will never know, endless details in its immense ruins of palaces, markets, pavilions, royal palaces, monuments and statues...and countless sunsets.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Munnar, terra do verde, do chá e das sanguessugas // Munnar, land of green, tea and leeches

Street market
Munnar center
Catholic church, Munnar. Shoes outside.
Tea plantations
Tea plantations

23.10 – Ao chegarmos tomámos um delicioso duche quente, (daqueles que enchem o WC de vapor de água) e tive noção que já não tomava um duche quente há bastantes semanas. Desde Colombo, no Sri Lanka, se não estou em erro! As temperaturas altas e a falta de aquecimento na maioria dos hóteis por onde passámos têm feito com que a água fria se tenha tornado uma presença constante, sem que isso tenha, necessariamente, sido uma má coisa. Mas aqui em Munnar as temperaturas são mais baixas e a água da torneira é demasiado fria para ser apetecível.
No dia seguinte fizémos um trekking pelas plantações de chá, a principal fonte de rendimento e de trabalho da cidade. É uma paisagem impressionante!
Disseram-nos que por vezes se conseguem avistar elefantes mas nós só avistámos as suas fezes em locais que pensávamos serem de acesso impossível para um animal daquele porte.
Em vez disso, tivémos a presença de sanguessugas nos sapatos! Bem, nunca tínhamos visto nenhuma e pensava-as maiores e mais gordas. Algumas conseguem ser bem pequenas e quase não darmos por elas e, por isso, depois de passarmos as pernas por vegetação alta, fazíamos uma pausa para ver se alguma tentava agarrar-se à bota ou que pudesse ter mesmo entrado para o sapato ou para as calças.
Estava um dia chuvoso, o que não nos deu uma boa visualização do alto dos montes a mais de 2000 m de altitude a que subimos (Munnar é uma terra localizada a elevada altitude, por isso os montes não são altos como a Serra da Estrela, mas estão facilmente a uma altitude mais elevada que esta). Mas essa mesma neblina permitiu umas fantásticas fotos de uma paisagem que já por si era magnifíca. “Degraus” de plantações pelas colinas fazem uma decoração natural perfeita para aquele local tão visitado por turistas indianos pelo verde que eles tanto adoram.
Nessa noite dormimos bem mas só depois dos festejos do Diwali terminarem. O chamado “Festival das luzes” é das maiores comemorações Hindus na Índia, na qual eles acendem velas e candeeiros nas ruas, templos e casas e vêem-se vários fogos de artíficio pelas cidades. Em Munnar parecia Carnaval, com miúdos e adultos a divertirem-se com estalinhos e morteiros.
Os dias ali passados foram de descanso. O centro da cidade é pequeno, com vários mercados de rua e lojas de chocolate. Três templos principais nas três colinas da cidade (Católico, Hindu e Budista) constituem os principais pólos de movimento dos locais. Num dos nossos almoços conhecemos um casal de italianos que trabalham em Mumbai e estavam de férias. Trocámos impressões do país e ouvimos recomendações de comida e sítios a visitar.
Tempo de apanhar o autocarro de longa distância para Bangalore, onde depois veremos como podemos conseguir chegar a Hampi, o nosso próximo destino!

//

23:10 - When we arrived we took a delicious hot shower, (those ones that fill the bathroom with steam) and I realized we didn't have one in weeks. Since Colombo, Sri Lanka, if I am not mistaken! The high temperatures and the lack of heaters in most hotels where we stayed have made the cold water a constant presence, without this having necessarily been a bad thing. But here in Munnar temperatures are lower and the tap water is too cold to be delicious.
The next day we made a trek through the tea plantations, the main source of income and labour. It is an impressive landscape!
We were told that sometimes elephants can be seen but we only saw their dung where we thought impossible to access for an animal that size.
Instead, we had the presence of leeches on the shoes! Well, we've never seen any and thought woulb be larger and fatter. Some can be very small and hardly noticeable, so, after passing through high vegetation, we made a break to see if any tried to cling to the boot or could have even entered the shoe or pants.
It was a rainy day, which did not give us a good view of the top of the mountains over 2000 m of altitude we go up (Munnar is a land located at high altitude, so the mountains are not as high as "Serra da Estrela", but are easily at a higher altitude). But that same fog allowed fantastic pictures of a landscape that in itself was magnificent. "Steps" of the hills plantations make a perfect natural decoration for that location so visited by Indian tourists for the green they love so much.
That night we slept well but only after the Diwali celebrations are over. The so-called "Festival of Lights" is the biggest Hindu celebration in India, when they light candles and lamps in the streets, temples and homes and several fireworks can be seen in the cities. It seemed like Carnival in Munnar, with kids and adults having fun with firecrackers.
The days spent there were of rest. The city center is small, with several street markets and chocolate shops. Three main temples in the three hills of the city (Catholic, Hindu and Buddhist) are the main locations of the motion poles. At one of our lunches we met an Italian couple who work in Mumbai and were on vacation. We exchanged impressions of the country and hear food recommendations and places of interest.
Time to catch the long distance bus to Bangalore, where then we'll see how we can reach Hampi, our next destination!

Susana

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Onde a água doce encontra a salgada // Where freshwater meets sea water

Kerala's Backwaters
Backwaters island and boat
Backwaters local washing her cow

Chinese fishing nets
Santa Cruz Cathedral interior
Canoe's "driver"
Santa Cruz Cathedral, Fort Kochi
backwaters village house
Backwaters boat ride
22.10.2014 - Deixámos hoje Kochi onde nos últimos dias fomos ficando porque apanhei uma virose que me fez ter febre e diarreia. Pelo sim, pelo não, fui ao médico. Disseram-me para ir ao hospital público: confusão de gente em fila para ser atendida. Era sentar na cadeira ao pé do médico, contar as desgraças, trazer a receita e venha o próximo. Os medicamentos são dados (sim, dados) à quantidade e não à caixa. Mas não contente com o veredicto, procurámos uma clínica privada onde fui atendida com mais atenção. A conta final, com medicamentos incluídos, deu à volta de 6 euros.
Kochi não tem muito que ver: mesquitas, palácios holandeses e redes de pesca chinesas, alguns edifícios de influência portuguesa e igrejas católicas (a Catedral de Santa Cruz foi a mais curiosa que vi até hoje. Uma mistura de decoração ocidental com indiana deu numa igreja cheia e com néons à volta de Maria, no altar), .
Podem fazer-se tours organizadas às Backwaters: canais, rios e lagos interligados num sistema labiríntico criando um ecossistema único onde a água doce dos rios encontra a água salgada do Mar Arábico, (estas tours acabam por compensar pois não são caras) e vale a pena.
Deu para relaxar num tranquilo passeio de barco por entre ilhas e canais cheios de vida animal, aves principalmente, e flora tropical, e ainda conhecer uma rapariga sérvia que estava no final da sua viagem de 1 mês pela região de Kerala. Partilhou connosco algumas impressões e sugestões do Sul, o que foi uma boa ajuda para quem tinha praticamente acabado de chegar!
O nosso hotel, Mother Tree, fica em Fort Kochi, a zona tranquila da cidade onde se podem passar uns dias calmos, longe da confusão das cidades indianas. Junto a ele há um pequeno restaurante familiar chamado Taj Mahal onde comemos na maior parte dos dias pois era muito em conta em comparação com os preços que encontrámos na cidade. Comida boa e sentimo-nos sempre em casa, pois a esplanada era, literalmente, nas traseiras da casa da família!
Como já me sinto melhor, apanhámos o autocarro de Kochi para Munnar, mais para o interior do Sul da Índia. A viagem faz-se por entre pequenas povoações e solavancos num autocarro velho e sujo de janelas sempre abertas, pois não tem vidros. A certo ponto a paisagem muda, o ar refresca e começamos a subir em altitude. A estrada serpenteia pela floresta tropical densa, passamos macacos à beira da estrada, quedas de água tímidas e outras imponentes. Locais de beleza incrível que me surpreendem pela imensidão de vida, verde e de locais escondidos e sozinhos. Ao começarmos a descer a floresta abre, mais casas e vacas a pastar... o autocarro vai parando. Pessoas vão entrando e saindo. A viagem continua.

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22/10/2014 - We left Kochi today where we kept staying in the last few days because I got a virus that made me have fever and diarrhea. In doubt, went to the doctor. I was told to go to the public hospital: A big mess of people queueing to be seen by the doctor. It was sitting in front of the doctor, tell the woes, take the prescription and repeat. The drugs are given (yes, free) in the exact quantity and not the full box of pills. But not happy with the verdict, I sought a private clinic where people were seen with more time and attention. The final bill, including medicines, was around 6 euros.
Kochi does not have much to do: mosques, Dutch palaces and Chinese fishing nets. some buildings of Portuguese influence and Catholic churches (the Cathedral of Santa Cruz was the most curious I saw today, a mixture of western and Indian decor that resulted in a full church with neons around Mary, on the altar), 
Tours can be organized to go to the Backwaters: canals, rivers and lakes interconnected in a labyrinthine system, creating a unique ecosystem where fresh river water meets the salt water of the Arabian Sea (these tours end up worthing and are not expensive).
It was good to relax in a tranquil boat ride through islands and channels filled with wildlife, birds mainly, and tropical flora, and still get to know a Serbian girl who was at the end of her one month trip by the Kerala region. She shared with us some impressions and suggestions for  the south, which was a good help for us, who had practically just arrived!
Our hotel, Mother Tree, located in Fort Kochi, the quiet part of town where you can spend a few quiet days, away from the hustle of Indian cities. Next to it there is a small family restaurant called Taj Mahal where we ate in most days, it was very affordable compared to the prices we found in the city. The food is really good and we feel always at home because the tables were literally in the backyard of the family home!
As I feel better, we took the bus from Kochi to Munnar, further inland of South India. The trip is done through small villages and bumps in an old and dirty bus, windows always open because it has no glass. At one point the landscape changes, the air cools and began to climb in altitude. The road winds through dense rainforest, we see some monkeys on the roadside, some shy waterfalls and others imposing. Incredible beauty spots that surprise me by the immensity of life, green and hidden and alone locations. As we begin to descend the forest opens, more houses and cows to graze... the bus will stop. People go in and out. The journey continues.