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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Apanha da azeitona e Trilho do Zêzere

Este fim de semana fomos até à Sertã, perto do centro geodésico de Portugal Continental, para ajudar a família na apanha da azeitona. O dia passa-se bem entre gargalhadas e conversas trocadas. Mesmo quem não fala muito vai-se entretendo a ouvir!




Entre o estender das mantas por baixo das oliveiras, o cortar dos ramos (para que ela volte a crescer com azeitonas boas daqui a 2 anos), o subir à árvore para retirar as azeitonas dos ramos mais altos e o ficar cá em baixo a escolher os ramos cortados, vão-se contando histórias, dizendo piadas e vai-se rindo. Quando uma oliveira está terminada, as azeitonas escolhidas recolhem-se da manta para sacos grandes e passa-se à próxima. Assim são os dias, apenas interrompidos pelo cair da noite, quando o frio começa a pesar e regressar a casa sabe bem.

O tempo esteve bom, os dias bonitos e o Sol aquecia-nos nas horas em que ia alto. Foi bom regressar, uma vez mais, aos campos de um verde vivo e respirar aqueles ares bons e frescos. Às vezes fechava os olhos e revia cheiros que me reportavam à infância, onde corria e explorava com os meus primos todo o santo dia. Mais horas houvessem!






No domingo "tirámos folga" e aproveitámos para ir a Pedrogão Pequeno fazer um percurso pedestre que tínhamos pesquisado antecipadamente na internet. Estava tudo bem sinalizado e a informação na internet também era muito boa, com folhetos e coordenadas GPS. Lá fomos nós fazer o Trilho do Zêzere e descobrir pontes filipinas datadas do século XVII e caminhos romanos esquecidos à sombra de novas e modernas pontes e da barragem do Cabril, que espreitava ao fundo do vale.

O percurso seguiu inicialmente sempre junto ao rio com as suas escarpas graníticas altas e foi bastante agradável. Estava uma luz fantástica e, quando a geomorfologia o permite, num local chamado Moinho das Freiras, o trilho passa mesmo à beira do bonito Zêzere, com árvores que quase o fingem tocar, senti-me num conto de fadas rodeada de árvores baixas que deixavam entrar a luz do Sol e o rio que brilhava refletindo essa mesma luz. 




Depois disso, o percurso afasta-se do rio e segue para o interior, aumentando sempre em altitude e passando por pinhais e pela pequena aldeia de Painho, onde também se fazia a apanha da azeitona. Termina no sítio onde iniciou, o que é bastante conveniente!



Para informações e mais detalhes sobre o percurso pedestre: Trilho do Zêzere

Mais fotos do percurso aqui

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ekaterinburg, Russia

Gorodskoi prud
Zé sketching
"The love you take is equal to the love you make..."
Lenina Avenue
Old train near the Ekaterinburg's train station
Window of a beautiful building
Ekaterimburgo (GMT +5). Quando faltava 1hora para chegar a Ekaterimburgo a controladora do comboio veio avisar-nos, mas nós não sabíamos exactamente o que se passava e achámos estranho avisar-nos com tanta antecedência. Pensámos que talvez o comboio estivesse adiantado. Preparámos tudo e o comboio parou numa estação antes por pouco tempo. Pensámos que era ali, mas foi uma paragem curta e logo continuou. Ficámos super assustados pensando que não tínhamos conseguido sair!
A senhora russa que ia na nossa cabine, apesar de não falar inglês, percebeu o pânico e desatou-se a rir. Depressa nos tranquilizou e disse que ainda não era Ekaterimburgo.
Esta cidade, capital do Estado dos Urais e cidade na fronteira da Europa com a Ásia, não é nem de perto tão bonita como Moscovo: prédios antigos e mais desleixada. Embora isso seja comum nas cidades grandes russas: os prédios habitacionais são desleixados e sujos, as escadas interiores também e depois têm portas blindadas e fortes.
Descobrimos que vai ser uma das cidades que receberá o Mundial de Futebol em 2018 e a Expo em 2020, mas ainda lhe faltará muito trabalho a fazer até lá. Têm bonitos jardins, lagos tranquilizantes e igrejas realmente interessantes.
Nesta cidade já se viam alguns rostos com características asiáticas e ninguém falou connosco em inglês, excepto o senhor que nos recebeu no hostel. Quando ele se foi embora deixou as coisas a cargo de um senhor de 80/90 anos que usava bengala e falava connosco através de um tablet onde traduzia tudo com o Translate e olhava-nos com um sorriso. Foi divertidíssimo ler aquelas traduções!
No hostel não haviam mais estrangeiros, no nosso quarto estavam 2 russos que parecia que viviam ali. É comum para eles fazerem-no. Já em Moscovo conhecemos um russo que vivia na Galina’s flat. Fica-lhes mais barato do que alugar um quarto.
Chegados à estação tivemos de novo dificuldade em perceber qual era o nosso comboio, mas lá nos desenrascámos, como não poderia deixar de ser.
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Ekaterinburg (GMT +5). 1 hour to arrive at Yekaterinburg when the controller warn us, but we did not know exactly what was going on and we felt it was weird to tell us to leave in the next stop so far in advance. We thought that maybe the train was in advance. We prepared everything and the train stopped at a station for a short time before. We thought it was there, but it was a short stop, then continued. We were super scared thinking that we had not made ​​it out!
The Russian lady who was in our cabin, despite not speaking English, noticed the panic and burst out laughing. Quickly reassured us and said it was not yet Yekaterinburg.
This city, the capital of the Urals State and City on the border between Europe and Asia, is not nearly as pretty as Moscow: Older buildings and more sloppy. Although this is common in big Russian cities: the residential buildings are sloppy and dirty, as the interior stairs and also have strong and armored doors.
We found out that it will be one of the cities that will receive the World Cup in 2018 and the Expo in 2020, but it is still missing a lot of work to do. They have beautiful gardens, quiet lakes and really interesting churches .
In this city already saw some faces with Asian features and no one spoke to us in English, except the gentleman who greeted us at the hostel. When he left, a man of 80/90 year old stayed in charge of the hostel, he used a walking stick and spoke to us through a tablet where he translated everything with Google Translate and then was looking to us with a smile. It was exhilarating to read those translations and try to communicate like that!
In the hostel there were no more foreigners, in our room were two Russians who seemed to live there. It is common for them to do so. Already in Moscow met a Russian who lived in Galina's flat. Gets them cheaper than renting a room.
At the train station, again had trouble finding our train, but we made it, as it should be.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Trans-Mongolian: Moscow-Ekaterinburg (1818 km; 1d 1h 52mins)


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Chegados à grande e movimentada estação de Moscovo, encontrámos facilmente o nosso comboio. Uma senhora simpática à porta, que não falava inglês, viu-nos os bilhetes e passaportes e fazendo números com as mãos indicou-nos os nossos lugares.
Na cabine onde estavam as nossas 2 camas mais outras duas, já estava uma mulher russa, Svetlana, e o seu filho de 2 anos. Começou logo a falar-nos num inglês atabalhoado mas que dava para entender.
Não sabia onde era Portugal, mas Espanha sim. Então passou o tempo a dizer que os espanhóis eram simpáticos e que achava as nossas feições muito bonitas. Concluímos, entre risos, que de facto a diferença na diversidade étnica faz com que os nossos conceitos estéticos difiram. Eu expliquei-lhe que para nós, os olhos dela (claros) eram bonitos e ela disse logo abanando a cabeça a sorrir e passando as mãos pelos olhos: “no, no! Your eyes!” – os mais castanhos possíveis!
Foi ela que simpaticamente nos ajudou a perceber o funcionamento do comboio: a cama que levanta para guardar as malas, as escadas para subir para a cama de cima, as fronhas que ainda seriam trazidas pela senhora da porta da carruagem (chamemos-lhe a controladora)... depois perguntou-nos: “Os vossos comboios não são como estes?”
-“Não, não. It’s not a big country”. Ela acenou compreensivamente e a rir.
Trabalha no circo, desde pequena, tal como os pais. Já foi trapezista, agora tem 6 cavalos. Viajava de Moscovo, onde foi visitar a mãe, para a cidade onde o seu circo está. É essa a vida dela. Não quis dizer a idade, diz que e muito velha. A mim não me pareceu.
Ofereceu-me pão com carne e fez questão que comesse enquanto ela adormecia o filho que estava com a birra do sono. É comum para os russos partilharem a comida mesmo com quem não conhecem.
O comboio, para eles, é local de convivío e descontração. Todos vêm preparados para longas viagens com chinelos e calças confortáveis que vestem assim que chegam ao seu lugar. Há inclusive aqueles que se passeiam só em calções.
Cada carruagem é gerida por duas pessoas que se alternam. São os responsáveis por estar à porta a conferir os bilhetes, dar-nos as fronhas para a cama, vir acordar e avisar as pessoas da altura da saída e tratam da manutenção da carruagem e sua limpeza. De manhã aspiram o chão do corredor e de cada cabine. As casas de banho têm sempre papel e sabonete para as mãos, embora não haja duche. Tudo é ordeiramente arrumado e mantido em ordem.
Pode comprar-se chá ou ter acesso a água quente para café solúvel (se o levarmos) ou para refeições pré-cozinhadas.
Olho lá para fora, o embalo do comboio com a dança dos cabos de electricidade que vão passando à janela são hipnotizantes. Combato o sono para observar a paisagem. Verde e mais verde num terreno sempre plano. Já em pequena ia no carro e gostava de ir de olhos abertos. Queria absorver e memorizar tudo o que via, pensava eu. Há coisas que não mudam!
A ‘Lana’ desceu e veio um novo passageiro para a cama dela. Eu acho que ele está um pouco bêbedo e trouxe a cerveja com ele, que já entornou para o tapete. Viu que não falavámos russo, então começou a tentar falar inglês e disse que Portugal é fixe. Acho que percebi que ele trabalhou em Angola e no Congo.
O tempo passa rápido entre sestas, conversas e leituras. Demasiado rápido até. Parece que voa com a paisagem lá fora. Árvores alternam com pequenas povoações de madeira junto a cultivos. Penso que entendi que lhes chamam datsha. É o local para onde as pessoas vão ao fim de semana para trabalharem a terra.
Às 2h da manhã os senhores que iam connosco saíram. Desejaram-nos “Good luck and welcome to Russia!”
Entraram novas pessoas. É hora de ir dormir. Ninguém fala. O céu ainda está claro, acho que não escurece mais. Estamos em meados de Maio, em Junho de certeza que fica mais de dia ainda.
Novo dia. Acordei às 11h de Moscovo mas não sei que horas são agora. O senhor da cama de cima já saiu e outra senhora russa vê desenhos animados com a filha.
A paisagem não mudou, continua tudo plano e verde. De vez em quando aparecem umas casas de madeira muito pobres. São locais com a dimensão talvez das nossas vilas mais pequenas, mas com estradas por alcatroar.
Fez parecer que a Rússia é demasiado grande para se lembrarem de todos os lugares...

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Arrived at the big and busy Moscow train station, we easily found our train.
A nice lady at the door, who didn't speak English, saw our tickets and passports and making numbers with her hands showed us our seats.
In the cabin, where they were our two beds plus two others, was already a Russian woman, Svetlana, and her 2 year old son. Soon began to speak to us in a poor English that could be understood.
She didn't know where Portugal was, but Spain yes, so she spent the time saying that the Spanish were friendly and that she we thought that we have very beautiful features. We conclude, between laughs, that in fact the difference in ethnic diversity makes our esthetic concepts diverse. I explained to her that for us, her blue eyes were beautiful and she just said, shaking her head and smiling: "No, no! Your eyes!" - the most brown eyes ever!
It was she who kindly helped us understanding the functioning of the train: the bed posing for storing bags, small stairs to go to the top bed, the pillowcases that should be brought by the lady standing at the carriage door (we call her the controller actually)... And the she asked us: "Your trains are not like these ones?"
- " No, no. It's not a big country." She nodded understandingly and laughed.
She works in the circus, since her childhood, as her parents. Already worked as a trapeze, now has 6 horses. She traveled to Moscow to visit her mother, and now was returning to the city where the circus is. That's her life. She didn't want to say her age. She's to old, she says. It didn't seem to me!
Offered me bread with meat and made ​​sure I ate it while she was trying to put her son to sleep. It is common for the Russians to share food even with those who they don't know.
For them the train is a place of entertainment and relaxation. They all come prepared for long trips bringing their slippers and comfortable wearing pants that they wear as soon as they got their places. There are even those who wander only in shorts.
Each carriage is responsability of two persons who alternate between each other. They are responsible for being at the door to see the tickets, give us the pillowcases for the beds, wake up and warn people that they're arriving at their stops and deal with the maintenance of the carriage and its cleanliness. In the morning they're vacuuming the small corridor and each cabin. The bathrooms have always paper and hand soap, although there is no shower on it. Everything is neat and kept in order.
On the trains you can also buy tea or have access to hot water for instant coffee (if we brought it with us) or to pre-cooked meals.
I look outside, the train moviments with the dance of power lines that go through the window are hipnotising me. I fight against sleep to watch the scenery: green and plan land. Even when I was little, I used to go in tha car and I always liked to go with the eyes open. I wanted to absorb and memorize everything I sawt. Some things never change!
'Lana' went off and a new passenger came to her bed. I think he is a bit drunk and brought beer with him, which was already spilled onto the carpet. 
He saw that we didn't speak Russian, then started to try to speak English and said that Portugal is cool. I think I understood that he worked in Angola and Congo.
Time flies between naps, conversations and readings. Faster than it should. Looks like goes with the landscape outside. Trees alternate with small wooden villages along the crops. I think they call it datsha. It is the place where people go on the weekend to work the land.
At 2 AM the gentlemen who were in our cabin went off the train. They wished us "Good luck and welcome to Russia!"
New people entered. It's bedtime. No one speaks. The sky has still light, I think it does not get more dark. We are in the middle of May, in June for sure it will be day even later.
A new day comes. I woke up at 11 AM, Moscow time, but I don't know what time it is now. The man of one of the beds already left and another russian lady is watching cartoons with her ​​daughter .
The landscape has not changed, it remains flat and green. Occasionally some very poor wooden houses appear. These locals are perhaps of the size of portuguese smallest towns, but these ones with dirty roads.
It seems that Russia is too big to be all remembered...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Moscovo. Parte 2 / Moscow. Part 2

View to Moscow
Russian Ccuple on the Angara river
Galina's flat & Misha over my bed
Angara river
No nosso 3º dia em Moscovo, ainda a recuperarmos do cansaço e stress dos últimos dias em Portugal (mais do que das 3h de diferença), fomos sentar-nos junto ao Moskva river. Tinha chovido de manhã mas o céu voltara a estar azul. Um casal de russos à volta dos 40 anos veio sentar-se perto de nós. 
A senhora falou-nos a sorrir, tinha 3 dentes de ouro. Eu disse “english” e ela continuou a sorrir e prosseguiram para se ir sentar. Ela de saia, óculos de sol e mola a apanhar o cabelo. Ele de t-shirt e galças de ganga. Comem gelado e bebem cerveja, sentados no muro, agarrados junto ao rio. Riem alto.
Os russos mostram-se pessoas apaixonadas e divertidas.
Tínhamos ido aquela zona procurar um bunker do tempo da guerra fria, mas não fomos bem sucedidos. Já tinhamos lido que era difícil encontrá-lo e que não estava aberto a visitas individuais, mas gostávamos de tentar... Pena não estar mais bem assinalado!
Na nossa última noite em Moscovo fomos para “casa” mais cedo e na cozinha conhecemos um casal de franceses, o Léo e a Julie que também vão fazer o trans-mongoliano. Mas nós vamos partir um dia mais cedo. Por ironia do destino acabámos por descobrir que a nossa paragem de 1 noite em Ekaterimburgo nos irá fazer apanhar o mesmo comboio que eles até Irkutsk. Demos-lhes o número da nossa carruagem para nos procurarem.
Dia 18 de manhã despedimo-nos da Galina e do Misha, o gato que sempre dormia ao fundo da minha cama, e prosseguimos com as nossas mochilas.

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On our 3rd day in Moscow, still recovering from the fatigue and stress of the last days in Portugal (more than the 3 hour difference), we went to seat next to the Moskva river. It had rained in the morning but the sky was blue again. A couple of Russians around 40 years old came and sat near us. 
The lady smiled to us and talked, had three gold teeth. I said "English" and she continued to smile and proceeded to go sit. 
She dressed a skirt, sunglasses and a spring to catch the hair. He had a t-shirt and jeans. They started to eat ice cream and drink beer, sitting on the fence, hold together near the river. Laughing loudly.
The Russians seam passionate and fun people.
We had gone to that area to try to find a bunker from the cold war, but without success. We had already read that it was hard to find and it was not opened for individual visits, but still we'd like to try... Too bad it's not clearly signed!
On our last night in Moscow we went "home " earlier and met a French couple on the kitchen, Léo and Julie that will also travel in the trans-Mongolian. But we'll leave a day early. Ironically we eventually discover that our stop for one night in Ekaterinburg will make us take the same train to Irkutsk. We gave them our carriage number to try to find us later.
Day 18 in the morning we said goodbye to Galina and Misha , the cat who always slept at the bottom of my bed, and proceeded with our backpacks.